Porto Alegre

Para driblar a crise, pipoqueiro da Rua da Praia cria o cartão "Smilhos" de vantagens

Com a ajuda do filho, Bira, que atua há 23 anos no Centro, fideliza clientela com brincadeira perspicaz

Por: Jéssica Rebeca Weber
18/07/2016 - 16h29min | Atualizada em 18/07/2016 - 17h07min

Espalhando um cheiro sedutor pela esquina da Rua da Praia com a Caldas Júnior, no centro de Porto Alegre, há um exemplo da criatividade com que o brasileiro se vira em tempos de aperto. O carrinho de pipocas do Bira lançou o cartão "Smilhos" para driblar a crise, uma brincadeira com a matéria-prima do produto e o nome de um conhecido clube de vantagens. Quem junta cinco dos cartões de papelão — com design de cartão de crédito — pode trocá-los por saquinho de pipocas grátis. No verso, está explicado: "coma pipoca e acumule milhos".

— É uma ideia bem "engordante". Eles são inovadores — diz o fisioterapeuta Eduardo Freitas da Rosa, 31 anos, cliente há um ano.

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Bira e o filho, Israel, mantêm o carrinho de pipoca na esquina da Rua da Praia com a Caldas Júnior há dois anos Foto: Jéssica Rebeca Weber / Agência RBS

Ubirajara de Quadros Rosa, 61 anos, entende do mercado de pipocas do centro da Capital. Já trabalha há 23 anos como pipoqueiro: 21 deles como funcionário no ponto da esquina das avenidas Borges de Medeiros e Salgado Filho e os últimos dois anos com seu próprio carrinho na Rua da Praia, assessorado pelo filho e pela ex-mulher. Bira fala com propriedade sobre a recessão que o Brasil vive e sobre como aprender a lidar com ela é importante. Começou a trabalhar no Centro quando criança — foi "baleiro", jornaleiro, engraxate —, e o que sabe sobre empreendedorismo aprendeu na rua, ao estilo "a melhor escola é a vida".

A sacada do "Smilhos" é do seu filho, Israel Rosa, 31 anos, que contou com a ajuda de um amigo que entende de design gráfico. Está dando tão certo que estão criando uma nova modalidade, o "Smilhos Corporativo" (pacotes para empresas que querem presentear seus clientes com vale pipocas).

A Pipoca do Bira tem uma saída de 150 a 180 saquinhos por tarde. Os microempresários-pipoqueiros ainda oferecem coberturas diferenciadas — como leite condensado com coco e queijo parmesão ralado com orégano —, além de fazer uma pipoca doce 100% cacau. Israel é estudante de agronomia na UFRGS e ainda tem o sonho de produzir ele mesmo o milho orgânico da Pipoca do Bira. Mas o diferencial em que eles mais apostam sempre foi o atendimento.

— A freguesia passa aqui e tira dois dedos de prosa. Isso melhora o dia dos dois e cria vínculos de amizade — conta Bira.

Cartão de papelão tem design parecido com um cartão de crédito Foto: Jéssica Rebeca Weber / Agência RBS

*Colaborou Bárbara Müller

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