Ideia do bem

Operador de caldeira em hospital cria brinquedos para alegrar crianças internadas

Há seis anos, Aldo Germano da Rosa confecciona bonecos sustentáveis aos pacientes da ala pediátrica do Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre

Por: Bárbara Müller
23/09/2016 - 04h00min | Atualizada em 23/09/2016 - 17h12min

Basta uma embalagem de plástico, algumas tampinhas, elástico e miçangas para que Aldo Germano da Rosa faça nascer um brinquedo. Durante esta quinta-feira, ele e voluntários dos grupos Coração Amigo e Esquadrão da Alegria confeccionaram mais de 50 bonecos — em alusão aos 50 anos do Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre — que serão doados para pacientes da ala pediátrica da entidade. A entrega acontecerá na semana da criança, em outubro.

Operador de caldeira há 19 anos no Instituto, Aldo confecciona brinquedos sustentáveis há seis anos nas horas vagas. Começou por acaso, quando encontrou uma embalagem de ketchup e criou um carrinho.

— Depois, aprendi a fazer bonecos e não parei mais. É uma cachaça, vicia — brinca, destacando que nunca pensou em vender, mas, sim, doar para crianças de qualquer lugar ou idade.

Para a aposentada Zoraida Souza, 85 anos, é uma satisfação fazer parte de uma iniciativa tão bacana:

— Estou fazendo com todo carinho. As crianças vão adorar, está tudo bem colorido e lindo. Vai dar a maior alegria para elas.

A habilidade de Aldo também é compartilhada com pacientes da ala pediátrica do Instituto, em oficinas para a produção de bonecos. Antes do processo de montagem, os materiais utilizados são higienizados. A iniciativa também ajuda na conscientização das crianças sobre a importância do ambiente, além de propor momentos de diversão e descontração.

Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

— Eles (pacientes) podem fazer o boneco colorido, gremista ou colorado. E também tem essa questão da escolha. Porque a criança no hospital não tem muita opção, se ela quer fazer um exame de sangue, um raio-X, um procedimento mais invasivo. Mas ali (na atividade), ela pode decidir o que quer — explica Renate Priebe, psicopedagoga da instituição.

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Conhecido por muitos como "professor Pardal", Aldo já perdeu as contas de quantos brinquedos já confeccionou, mas chuta alto: se não passou de mil, deve estar quase batendo esse número. Bonecos, carros e cachorros estão entre as tantas possibilidades que o homem de 57 anos consegue criar.

— Com essa garrafa (do tipo pet), podemos até fazer um helicóptero — imagina Aldo, enquanto tira o objeto de uma das sacolas de doação que tinha acabado de receber, no fim da manhã de quinta-feira.

A maioria do material utilizado para a criação dos brinquedos vem de doações. Aldo utiliza tampinhas de garrafas e embalagens plásticas de todos os tipos — xampu, condicionador, desodorante roll-on, produtos de limpeza etc. O único gasto que ele tem é com elástico e miçangas. 

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