Economia

Operação Leite Compen$ado

Quatro envolvidos na fraude do leite são presos no norte do Estado

Fraude consistia na adição de água para aumentar o volume do produto e de sal para mascarar a diluição

Débora Ely

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DIOGO ZANATTA / Agencia RBS
Esquema que misturava água e sal para aumentar volume do leite foi alvo da sétima fase da Operação Leite Compen$ado

Rescaldos da sétima fase da Operação Leite Compen$ado, desencadeada na semana passada, surgiram nesta quinta-feira. Mais quatro envolvidas no esquema que adicionava água e sal ao produto para aumentar o volume e, consequentemente, o lucro, foram presas em Erechim, no norte do Estado.

Os mandados de prisão preventiva das quatro funcionárias do posto de resfriamento Rempel, de Jacutinga, foram solicitados ontem e cumpridos hoje pela manhã. As detenções foram pedidas pelo Ministério Público do Estado após depoimentos de motoristas de transportadoras que confirmaram a suspeita do envolvimento de funcionários de laboratórios.

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Conforme a investigação, ao analisarem as cargas recebidas, as funcionárias aceitavam o descarregamento do leite e a remessa à indústria mesmo identificando problema de qualidade. Segundo o promotor de Justiça Mauro Rochenbach, elas mascaravam os resultados dos testes:

- Essas mesmas funcionárias chegavam a incentivar os motoristas a colocarem uma certa quantidade de água nos compartimentos dos tanques que não seria detectada em exame algum.

Conforme o promotor, os depoimentos indicaram que água era acrescentada ao leite também nos silos do posto de resfriamento - não somente pelos transportadores. Depois de acrescentar água, as funcionárias realizavam testes para verificar se o produto seguia no padrão aceitável. Caso contrário, colocavam outras cargas de leite para diluí-lo e fazer com que a adulteração passasse despercebida.

Nos depoimentos, motoristas das transportadoras chegaram a citar expressões comuns entre eles quando constatavam a adulteração no silo: "lá vai mais cem, lá vai mais 200", diziam.

As funcionárias foram encaminhadas ao presídio de Erechim. Na quarta-feira da semana passada, 16 pessoas foram presas por envolvimento no esquema. O posto Rempel prestava serviços à empresa BRS, que anunciou o cancelamento do contrato.

Entenda como funcionava a adulteração do leite:

 

Sete fases da Operação Leite Compen$ado

Desde maio do ano passado, 37 pessoas foram presas e 43 denunciadas por adulteração de produto alimentício.

Sete pessoas foram condenadas nas comarcas de Ibirubá e Horizontina, com penas que variam entre dois e 18 anos de prisão em regime fechado. Veja quem são os condenados:

João Cristiano Pranke Marx, 18 anos e 6 meses de reclusão (regime fechado)
Daniel Riet Villanova, 11 anos e 7 meses de reclusão (regime fechado)
Larri Lauri Jappe, 10 anos (regime fechado)
Angélica Caponi Marx, 9 anos e 7 meses de reclusão (regime fechado)
João Irio Marx, 9 anos e 7 meses de reclusão (regime fechado)
Alexandre Caponi, 9 anos, 3 meses e 12 dias de reclusão (regime fechado)
Paulo César Chiesa, 2 anos e 1 mês de reclusão (regime semiaberto)

As ações civis coletivas de consumo contra as pessoas físicas e jurídicas envolvidas na raude já contabilizam 117 bens indisponibilizados, sendo 90 veículos e 27 imóveis, avaliados em aproximadamente R$ 10 milhões.

* Zero Hora

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