Polêmica no cinema

Presidente da comissão que escolheu representante do Brasil no Oscar fala sobre a votação

Bruno Barreto conta que "Aquarius" e "Pequeno segredo" estavam empatados e que a ausência de duas pessoas influenciou resultado final

Por: Estadão Conteúdo
14/09/2016 - 08h32min | Atualizada em 14/09/2016 - 09h04min
Presidente da comissão que escolheu representante do Brasil no Oscar fala sobre a votação Ocean Films,divulgação/Divulgação
Julia Lemmertz (E) em "Pequeno segredo" Foto: Ocean Films,divulgação / Divulgação

O cineasta Bruno Barreto, presidente da comissão que escolheu o filme Pequeno segredo para representar o Brasil na disputa por uma vaga ao Oscar, concedeu uma entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo" nesta terça-feira sobre a tensão criada desde a divulgação da escolha. Ele afirmou estar arrependido por não ter cancelado a reunião com os membros do comitê, já que a ex-secretária de Cultura do Rio, Adriana Rattes, e a diretora Carla Camurati não compareceram.

– Eu me arrependo por não ter pedido o cancelamento ao saber que teríamos duas pessoas faltando. Isso teve influência no resultado final – admitiu.

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Apesar da colocação, ele diz achar que o resultado foi legítimo:

– As pessoas são capacitadas, conhecem cinema, e o processo foi liso. Está havendo um preconceito com o resultado, um 'não vi, não gostei'.

Uma prévia na definição do escolhido, segundo o diretor, contabilizava quatro votos para Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, quatro para Pequeno segredo, de David Schrmann, e um pendendo para Nise – O Coração da Loucura, de Roberto Berliner. Mesmo não comparecendo, Adriana e Carla votaram (em Aquarius). No desempate, o voto de Nise foi para Pequeno Segredo

Bruno, que prefere não revelar seu voto, rebateu as acusações de represália a Aquarius, de Kleber Mendonça. 

– Não existiu pressão política, o ministro da Cultura (Marcelo Calero) adorou Aquarius. Não adianta votarmos no filme em que gostamos mais. Precisamos saber que existe um padrão de produção que funciona para o olhar estrangeiro – explica.

Se Pequeno segredo tem chances? 

– Ele tem melodrama, criança, Aids. Não sei se será o melhor, mas tem elementos.

O diretor disse ainda ter sido dispensado do encontro com a imprensa para o anúncio do filme escolhido, realizado na segunda, por Sylvia Bahiense, do MinC, quando já estava a caminho.

 
 
 
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