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A Livraria Leonardo da Vinci teve curta duração (não chegou aos 20 anos), mas, durante um bom período, na década de 1960, constituiu-se num dos redutos preferidos da intelectualidade porto-alegrense. Era especializada em revistas e livros importados, principalmente da França e de Portugal. Seu proprietário foi um português de Alfama, Edgardo Xavier (1922-2014), que chegou ao Brasil aos 27 anos. Depois de uma passagem pelo Rio de Janeiro, radicou-se em Porto Alegre, onde viveu até os 92 anos, sempre no ramo do livro, com uma breve experiência como dono do Restaurante Parreirinha da Alfama, na Rua 24 de Outubro.
Localizada na parte superior da Avenida Salgado Filho, a Livraria Leonardo da Vinci é lembrada ainda hoje por seus antigos frequentadores, principalmente intelectuais em geral, escritores, jornalistas, professores e estudantes. O professor Carlos Jorge Appel (Editora Movimento) lecionava na época no Colégio de Aplicação, da UFRGS, e costumava levar seus alunos de literatura para conhecer as novidades nacionais e importadas.
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O jornalista e advogado José Antonio Pinheiro Machado era um daqueles alunos e recorda as visitas. Seu irmão, o editor Ivan Pinheiro Machado, guri na época, lembra que ia sempre à livraria em busca da revista Tim Tim, editada em Portugal. Para Appel, a Leonardo da Vinci foi um importante ponto de referência cultural da cidade, com atendimento diretamente do proprietário, que não era um simples livreiro, mas um homem culto, de muita leitura e sempre bem informado.
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O grupo dos críticos de cinema também fazia parte dessa seleta clientela. Os jornalistas Goida, Hélio Nascimento, P.F. Gastal e Enéas de Souza, entre outros, lá compareciam principalmente em busca do Cahiers du Cinéma, a revista coqueluche da turma. Enéas lembra que, junto com Carlos Scarinci e Manoel Sarmento Barata, ia também atrás de livros de filosofia, fazia encomendas, sugeria títulos para importação e até ajudava a abrir os pacotes e a classificar os volumes. Praticamente toda a geração de intelectuais da época tinha a Livraria Leonardo da Vinci como ponto de referência e de encontros casuais.