Crime organizado

Facção criminosa em Roraima quadruplicou em dois anos, diz promotor

Responsável por investigar o PCC no Estado, Marco Antônio Azeredo afirmou ter sido avisado, por meio de relatórios de inteligência, de que novos massacres podem ocorrer em Rondônia e no Acre

Por: Estadão Conteúdo
10/01/2017 - 07h51min | Atualizada em 10/01/2017 - 08h16min
Facção criminosa em Roraima quadruplicou em dois anos, diz promotor Divulgação/Ministério Público do Estado de Roraima
Foto: Divulgação / Ministério Público do Estado de Roraima  

Responsável por investigar a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Roraima, o promotor Marco Antônio Azeredo afirma que o número de integrantes da facção no Estado quadruplicou em dois anos — saiu de 96, em 2014, para cerca de 400 em 2016. Em entrevista, o promotor disse ainda ter sido avisado por meio de relatórios de inteligência que os massacres podem se repetir em Rondônia e no Acre.

As revelações são feitas no mesmo dia em que a governadora Suely Campos (PP) oficializou o pedido de apoio ao governo federal. O PCC é apontado como responsável pelo massacre de 33 detentos da penitenciária agrícola. Em 2014, Azeredo foi o responsável pela primeira investigação contra a facção, que deu origem à Operação Weak Link. Em parceria com a Polícia Federal, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE), mapeou a estrutura do PCC no Estado e denunciou 96 integrantes da facção.

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Segundo o promotor, informações da inteligência do MPE e documentos apreendidos pela Polícia Militar durante as revistas nas penitenciárias de Roraima dão conta de que, desde a Weak Link, o número de integrantes "batizados" pelo PCC saltou de 96 para 400. 

— Esse número vem de apreensões de livros de batizados e documentação relativa aos novos membros, todos identificados pela PM — afirma o promotor.

Os relatórios de inteligência que falam de novos massacres no Acre e em Rondônia foram produzidos, segundo Azeredo, depois das mortes no Amazonas. 

— Inúmeros relatórios de inteligência foram disparados. Para Roraima, para Rondônia, a Secretaria de Segurança Pública daqui foi informada — diz. 

A informação do promotor é a mesma do presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Roraima, Lindomar Ferreira Sobrinho. De acordo com ele, "as informações que chegam é que novas mortes podem acontecer em outros Estados, como Acre e Rondônia".

No pedido de ajuda encaminhado à União, a governadora Suely Campos reitera a necessidade do envio de cem policiais da Força Nacional de Segurança para auxiliar "no controle" da Monte Cristo. Segundo ela, o Estado atualmente não pode garantir a integridade física dos presos de "forma plena" sem comprometer o policiamento ostensivo nas ruas de Boa Vista.

Ainda no pedido, Suely Campos aponta a necessidade de envio da Força de Intervenção Penitenciária Integrada, grupo especializado do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). No documento, a governadora explica que o grupo já atuou na retomada do controle de um presídio no Ceará. Além do reforço no efetivo, a governadora solicita também auxílio financeiro para conclusão da Penitenciária de Rorainópolis. Segundo o requerimento, a obra foi abandonada na gestão passada e poderia acrescentar 660 vagas ao sistema prisional. O valor pedido é de R$ 9,9 milhões.

Outro ponto do pedido é a transferência imediata para presídios federais de oito detentos identificados como líderes da facção envolvida nas 33 mortes.

Amazonas

Após quatro mortes no domingo, 20 detentos foram transferidos nesta segunda-feira, da Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, em Manaus, para uma unidade prisional de Itacoatiara, a 176 km da capital. De acordo com o titular da Secretaria Adjunta de Operações, Orlando Amaral, a decisão foi para evitar mais mortes. Itacoatiara, porém, já está superlotada: com capacidade para 170 detentos, abriga 355.

 
 
 
 
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