Operação Lava-Jato

Marco Maia chama delatores de "bandidos" e rebate acusações

De acordo com a delação do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Claudio Melo Filho, o petista teria solicitado à empresa repasses para a campanha de 2014

Por: Zero Hora
16/03/2017 - 12h03min | Atualizada em 16/03/2017 - 12h13min
Marco Maia chama delatores de "bandidos" e rebate acusações Laycer Tomaz/Câmara dos Deputados,Divulgação
Foto: Laycer Tomaz / Câmara dos Deputados,Divulgação  

Depois de ser listado pelo Jornal Nacional entre os alvos dos 83 inquéritos enviados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado federal e ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT-RS) rebateu acusações e classificou os delatores da Operação Lava-Jato como "bandidos". De acordo com a delação do ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira, Claudio Melo Filho, o petista teria solicitado à Odebrecht repasses para a campanha de 2014. O motivo para o suposto pedido de Janot para investigar Maia, no entanto, é desconhecido, já que os depoimentos dos ex-executivos da empresa seguem sob sigilo.

Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, Maia admitiu que conhece Melo Filho e afirmou que o ex-executivo da Odebrecht andava pelo Congresso, "conversando com absolutamente todos os parlamentares". O deputado sustenta que decidiu, em 2014, que não solicitaria doações a nenhuma empreiteira "que estivesse sendo investigada ou que pudesse ser investigada" pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras. Na época, a investigação era relatada por Maia.

— Não há absolutamente nenhum pedido meu, em 2014, ao Claudio Melo, para contribuições a minha campanha eleitoral, nem no caixa 1 e muito menos no caixa 2 — disse. — Estamos diante de um conjunto de delatores, de bandidos, que para obterem benefícios nas suas penas e inclusive benefícios financeiros, acabam contando mentiras. Eles, que deveriam provar o que estão dizendo, passam a ser heróis, enquanto aqueles que são acusados têm que sair se defendendo.

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Em novembro de 2016, Marco Maia foi alvo de mandado de busca e apreensão em sua residência na Operação Deflexão. A investigação foi inciada a partir da delação do ex-senador Delcídio Amaral, que acusou Maia e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, quando era senador, pela cobrança do "pedágio" de empreiteiros investigados na Lava-Jato em troca de proteção na CPMI. 

Executivos afirmam ter repassado valores superiores a R$ 5 milhões para evitar retaliações e contribuir para campanhas eleitorais, conforme informou a Polícia Federal por meio de nota, na época. Maia e Vital eram relator e presidente da comissão, respectivamente. 

O deputado federal nega a acusação de que tenha cobrado valores de empreiteiras .

— Neste inquérito, 11 pessoas já foram ouvidas. Das 11, 10 delas negaram qualquer tipo de participação minha — afirmou Maia, citando depoimentos de ex-executivos da Andrade Gutierrez, Engeviz, UTC e Odebrecht.

Marco Maia ainda teria sido citado no depoimento do ex-executivo da Odebrecht Valter Lana, que representou a empreiteira no Rio Grande do Sul. Presidente da Trensurb em 2003, o petista afirmou que costumava receber representantes da empresa, mas negou qualquer negociação para cobrança de propina por contratos em obras da extensão da linha do metrô de São Leopoldo a Novo Hamburgo.

— Não existe, nunca aconteceu e nunca me pediram qualquer tipo de negociação para liberação de qualquer contrato.  


 
 
 
 
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