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Criação de serviço de motossocorristas para o Samu segue sem previsão em Porto Alegre

Câmara fez indicação para que prefeitura crie cargo para socorristas com motos, mas Executivo não tem previsão para aquisição de veículos

Por: Zero Hora
18/07/2017 - 18h26min | Atualizada em 18/07/2017 - 18h34min
Criação de serviço de motossocorristas para o Samu segue sem previsão em Porto Alegre Jonas Ramos/Especial
Foto: Jonas Ramos / Especial  

Aprovada como uma indicação pela Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e do Mercosul (Cefor) da Câmara Municipal de Porto Alegre, a ideia de que o Samu use motos para atender feridos não deve vingar tão cedo em Porto Alegre. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a medida é de difícil execução, pois, além do investimento na compra de veículos, é necessário realizar o treinamento de técnicos de enfermagem ou enfermeiros para atuar na função.

Feita pelo então vereador e hoje secretário de Infraestrutura e Mobilidade, Elisandro Sabino (PTB), a sugestão é que o Executivo municipal crie o cargo de motosocorrista porque só um funcionário concursado pode prestar esse serviço.

— Recebi essa solicitação por parte de pessoas ligadas à área da saúde. Enquanto legislador, entendi que era viável, porque é uma melhor solução para locomoção e agilidade no atendimento do Samu — relata.

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Em 2010 a prefeitura da Capital recebeu do Ministério da Saúde duas motolâncias — motocicletas equipadas para atendimento emergencial. Os veículos não foram utilizados pelo município e acabaram sendo devolvidos ao ministério. O conselheiro do Conselho Regional de Enfermagem do RS (Coren-RS) João Carlos da Silva afirma que, à época do recebimento das chamadas "motolâncias", o Serviço Samu enviou técnicos de enfermagem que tinham habilitação categoria A para realizar o treinamento para condutores de veículos de emergência, organizado em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Segundo a PRF, foram 24 formados.

Silva é crítico a utilização do serviço dos motociclistas. Para ele, antes de se pensar em criar novos cargos é necessário adequar o número de equipes que atuam no suporte básico nas ambulâncias. Uma das justificativas para criação do cargo é a redução no tempo-resposta dos chamados ao serviço 192, o que Silva rebate:

— O tempo-resposta depende do número adequado de equipes. O Samu precisa, primeiro, ter um número adequado de equipes atendendo em ambulâncias, para daí em um segundo momento, quando atingir o número de adequado de equipes, poderá se pensar em colocar esse serviço de motos como apoio as equipes.

Segundo Silva, quando o serviço de atendimento móvel de urgência da prefeitura foi integrado ao Samu nacional, em 2003, a previsão era de que haveria 16 equipes de suporte básico até 2006.

— Hoje, 11 anos depois, nós temos 13 equipes, que é o mesmo número que já tínhamos em 2004 — revela.

 
 
 
 
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